De Rossi no Boca Juniors é a síntese do futebol romântico

Primeira foto de Daniele De Rossi com a camisa do novo clube (Divulgação / Twitter Boca Jrs)
Por Frank Toogood/SP

Talvez não fossem necessários 616 jogos para deixar claro para o torcedor da Roma que Daniele De Rossi não é um jogador comum. A garra, a vibração e a entrega do eterno camisa 16 são símbolos da paixão romanista. O maior símbolo. Por isso mesmo, a não-renovação contratual com o time da capital italiana foi um choque – e um capítulo obscuro – que a torcida giallorossi ainda tenta assimilar.

Seria normal considerar uma aposentadoria, pois os 36 anos recém completados e algumas lesões ao longo da carreira cobram seu preço. Também seria natural aproveitar mais um ou dois anos em ligas sem tanto prestígio, mas com muitos recursos financeiros. No entanto, não foi a MLS, ou a Liga Chinesa e nem mesmo o famoso Mundo Árabe o destino escolhido. Como dito, ele não é um jogador comum.

De Rossi tem um diferencial que poucos jogadores hoje em dia possuem. Para entender isso, é preciso penetrar na mente do italiano. Em entrevista ao site oficial do clube, em 2017, o jogador afirmou que sentia “um prazer físico e emocional de vestir a camisa da Roma”. Isso transcende uma relação empregatícia e mesmo a de uma simples identificação com um clube (que já é rara nos dias de hoje).

Na mesma entrevista, ele vai além: “Viver sem a Roma teria me machucado mais do que não viver um Real Madrid x Barcelona [como jogador] ou não jogar nos melhores estádios da Inglaterra”. Veja: o que De Rossi procura é um outro tipo de emoção. Algo muito mais profundo, mais íntimo, mais primitivo. Não é prestígio. Não é glamour. Não é a aclamação como volante.

Nesses termos, o Boca Juniors é a escolha perfeita para os últimos anos de carreira.

A relação dos Xeneizes com seu clube é visceral. O pulsar da Bomboneira é um coração batendo acelerado, repleto de adrenalina. A eletricidade de “La 12” é reconhecida no mundo todo. A mística do Boca Juniors combina perfeitamente com a intensidade de De Rossi.

O romantismo no futebol morre ano após ano. Gestos como o de Daniele, que viu no clube argentino um espelho de suas próprias convicções, desejos e sonhos, deixam viva uma visão do esporte que não gostaríamos que sumisse. Que não se jogue mais sem alma, sem sentimento.

Daniele De Rossi, definitivamente, não é um jogador comum.

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