“Deixou chegar… o Rei de Copas”

Independiente é bicampeão da Copa Sul-Americana. Fonte: Getty
Independiente é bicampeão da Copa Sul-Americana. Fonte: Getty
Por Samir Leão, TO

A final da Copa Sul-Americana 2017, entre Flamengo e Independiente foi cercada por grandes emoções e muita vontade, assim como deve ser uma final. Ficaremos apenas nos fatos dentro de campo, as implicações fora do palco principal não são dignas do espetáculo que foi essa decisão. Por mais que esse campeonato não tenha a mesma mística da Copa Libertadores, foram dois grandes jogos e no fim o título ficou com o time argentino, que fez jus ao apelido de  “Rei de Copas” e ergueu a taça perante um Maracanã lotado.

Nos dois jogos, a equipe carioca abriu o placar, contudo o Flamengo tinha mais dois adversários além do Independiente. O primeiro era a pressão pela derrota na final Copa do Brasil diante do Cruzeiro em Setembro, por mais que os jogadores tentassem velar, ainda existia. O segundo era o desgaste físico de uma equipe que fez 84 partidas em 2017 e disputou seis campeonatos, sendo um deles de pontos corridos com 38 rodadas. O gás para uma temporada que começou em janeiro já não dava para manter a mesma organização do inicio até o fim do jogo em meados de dezembro.

Resultado: na primeira partida sofreu a virada e foi derrotado por 2 a 1. No jogo do Maracanã a equipe fez 1 a 0, mas cedeu o empate, que se sustentou até o fim da partida. Outro fator que deve ser notado é a passagem quase que imperceptível de estrelas como Diego Ribas e Everton Ribeiro, craques que podem desequilibrar partidas, mas estão longe de apresentar o que a torcida deseja em jogos dessa magnitude. Mesmo com a boa fase de Felipe Vizeu, a ausência de Paolo Guerrero é relevante nessas partidas que necessitam de um líder dentro de campo que assuma o peso da equipe.

Pela segunda vez no ano Flamengo deixa escapar um título.
Pela segunda vez no ano Flamengo deixa escapar um título. Fonte: Luciano Belford/AGIF

Quem não tinha nada a ver com essas dificuldades enfrentadas pelo Flamengo era o Independiente. Pois, quando uma equipe chega a uma final de campeonato, não é só o tamanho da história ou o peso da camisa, que enverga varal de aço, que a fazem chegar até ali. Tem que levar em conta os méritos que foram conquistados durante a competição. A equipe argentina fez a parte dela. Soube jogar quando tinha o placar desfavorável, por duas vezes durante o campeonato perdeu os jogos de ida (Atlético Tucumán-ARG e Libertad-PAR) e diante de sua apaixonada torcida, no estádio Libertadores da América, o “Diablo Rojo” reverteu os resultados. Perante os cariocas não foi diferente. Apesar de sair em desvantagem nos dois jogos, teve organização para mudar o placar e quando obteve a vantagem continuava a levar perigo ao gol Rubro-Negro.

Comandada pelo técnico Ariel Holan — um treinador que não teve suas origens no futebol e antes de ingressar na vida futebolística era técnico de hóquei sobre a grama — a equipe argentina explorou, durante as duas partidas contra o Flamengo, a fragilidade do setor esquerdo do time carioca. Seja pela frágil qualidade defensiva do peruano Trauco ou pelas investidas da jovem revelação do time, Ezequiel Barco, o Independiente criou a maioria das ações ofensivas por aquele lado do campo.

O título foi merecido, a campanha do campeão contou com 12 jogos, 8 vitórias, 2 empates e 2 derrotas. O time marcou 21 gols e sofreu 9, os atacantes Gigliotti e Leandro Fernández foram os principais artilheiros da equipe na competição com 4 gols cada um. O vice-campeão fez menos jogos, pois já entrou na competição na fase de oitavas de finais, devido à precoce participação na Libertadores da América 2017, assim fez 8 jogos, 4 vitórias, 3 empates e 1 derrota, marcou  14 gols e sofreu 7. O destaque é para o atacante Felipe Vizeu que encerrou a competição com 5 gols.

Fundado em 1 de janeiro de 1905, na cidade de Avellaneda, essa foi 17ª conquista internacional do time argentino, sendo que esses números só levam em consideração as competições oficiais organizadas pela Fifa ou pelas federações continentais, neste caso a Conmenbol. Isso faz do Independiente um clube que figura entre os mais vitoriosos da história. São: 7 Copas Libertadores da América (maior campeão), 3 Copas Interamericanas, 2 Mundiais de Clubes, 2 Sul-Americanas, 2 Supercopas da Libertadores e 1 Recopa Sul-Americana. Tamanha é a intimidade com a Libertadores que o estádio do time carrega o mesmo nome da competição.

Para 2018, podemos esperar um choque entre “reis de copas”. Independiente e Grêmio farão a decisão da Recopa Sul-Americana.

São 17 títulos internacionais desde sua fundação em 1905.
São 17 títulos internacionais desde sua fundação em 1905. Fonte: Twitter oficial do Independiente.
Fontes de Pesquisa: Globoesporte.com; Foxsports.com

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