Em que o Grêmio de hoje se parece (ou não) com o Tricolor de 1995?

DUAS DERROTAS DOÍDAS PARA O TRICOLOR GAÚCHO

Luan e Jardel são os principais nomes dos elencos que disputaram os respectivos mundiais (Foto Luan: Dolores Ochoa/Ap; Foto Jardel: Paulo Franken/Agência RBS)
Por Dudu  Nobre, PR

O Grêmio voltou a disputar uma decisão de Mundial Interclubes após um intervalo de 22 anos. Em Abu Dhabi a ansiedade foi grande para ver a equipe de Luan, Geromel e companhia duelar com o Real Madrid-ESP de Cristiano Ronaldo e seus companheiros. O desempenho aquém do esperado não tirou orgulho dos gremistas, que perderam honrosamente por 1 a 0. Este texto vai abordar as semelhanças e diferenças com o revés no Mundial de 1995, contra o Ajax-HOL.

Na época, o clube dos pampas vinha animado pelo título da Libertadores, eliminando adversários de peso como o bicampeão brasileiro Palmeiras e os já campeões da América Olímpia-PAR e Atlético Nacional-COL. No entanto, o desempenho pós conquista continental oscilou bastante – 11 vitórias, 5 empates e 11 derrotas.

O Grêmio deste ano não enfrentou nenhum campeão da Libertadores nos mata-matas, fato que se diferencia de 1995 mas que não desmerece a campanha de 10 vitórias, dois empates e duas derrotas dos comandados de Renato Gaúcho – o time de Felipão teve dois triunfos a menos e dois empates a mais.

A grande diferença entre esses dois contextos é o tempo de espera entre a Libertadores e o Mundial. Pelo novo regulamento, o Grêmio estreou nos Emirados Árabes Unidos 14 dias após a finalíssima contra o Lanús-ARG, enquanto que na década de 1990 a decisão intercontinental aconteceu quase três meses após o duelo com o Atlético Nacional-COL. Se por um lado Scolari teve tempo de planejar o time para se desgastar menos, por outro perdeu ritmo de competição – como os números acima revelaram.

O time holandês bateu o então bicampeão europeu Milan-ITA na final da Liga dos Campeões de 1994-1995 (Foto: Reprodução/Site Oficial Ajax)
O time holandês bateu o então bicampeão europeu Milan-ITA na final da Liga dos Campeões de 1994-1995 (Foto: Reprodução/Site Oficial Ajax)

Um desempenho bem mais irregular que o adversário gremista naquela final. O Ajax-HOL campeão europeu de 1994-1995 não perdeu naquela temporada, aplicando uma goleada de 5 a 2 no Bayern de Munique-ALE nas semifinais e superando o então bicampeão continental Milan-ITA na decisão. Uma geração que contava com craques como Van der Sar, os irmãos de Boer (Frank e Ronald), Litmanen, Seddorf (que saiu após a conquista europeia), etc.

Após a conquista o escrete comandado pelo polêmico Louis Van Gaal vinha de 20 jogos invicto, números que impressionavam mais em relação ao atual representante do Velho Continente. Quarto colocado na Liga Espanhola, o Real Madrid-ESP estava a oito pontos do líder Barcelona antes de desembarcar em Abu Dhabi (a diferença atual é de 14 pontos)

Com retrospectos diferentes, Grêmio e Ajax-HOL chegaram na terra do sol nascente com o mesmo objetivo de levar a taça pra casa – sendo que os brasileiros ficaram em concentração por 25 dias antes do embarque. Em comparação com time que disputou o Mundial diante dos merengues, é possível ver algumas semelhanças:

Elenco do Grêmio que disputou a decisão do Mundial Interclubes de 1995 (Foto: Reprodução/Grêmio Sempre)
Elenco do Grêmio que disputou a decisão do Mundial Interclubes de 1995 (Foto: Reprodução/Grêmio Sempre)

– Os goleiros são formados na base do clube (Danrlei e Grohe);

– Lateral direito batedor de faltas (Arce e Edílson);

– Dupla de zaga formada por um capitão brasileiro mais técnico (Adilson e Geromel) e um estrangeiro mais “viril” (o paraguaio Rivarola e o argentino Kannemann);

– Camisas 7 de grande habilidade e personagens de destaque no time (Paulo Nunes e Luan);

– Um jogo vertical e de muita velocidade, se utilizando muito dos flancos do gramado.

Em meio a essas coincidências algumas diferenças, principalmente  na meia cancha. Felipão tinha uma dupla de volantes caracterizada pela forte marcação (Dinho e Goiano), enquanto que atualmente os atletas que ocupam esse setor tem um passe mais qualificado e ajudam na dinâmica do jogo gremista.

Em compensação o escrete de 1995 tinha dois meias de ofício no esquema (Arilson e Carlos Miguel), que abriam possibilidade para lances de mais categoria e de maior visão de campo, diferente do sistema atual com Ramiro (atleta que já jogou de segundo volante) e Fernandinho (mais um ponta do que um camisa 10 clássico).

Time gremista de 1995: Danrlei; Arce, Rivarola, Adilson Batista e Roger; Dinho, Goiano, Arílson (Luciano) e Carlos Miguel (Gelson); Paulo Nunes e Jardel (Magno). Técnico: Luiz Felipe Scolari.

Time Gremista que jogou contra o Pachuca-MEX em 2017: Marcelo Grohe; Edílson (Leo Moura), Geromel, Kannemann e Cortez; Jailson, Michel (Everton) e Ramiro; Luan, Fernandinho e Barrios (Jael). Técnico: Renato Gaúcho.

A decisão

No confronto do passado um jogo muito disputado em que o Grêmio equilibrou as ações com o Ajax no primeiro tempo, mas concentrou demais as jogadas pelo meio já que Arce ficou preso à marcação de Overmars.

Com o passar dos minutos, o Ajax passou a imprimir seu futebol de toque de bola e avanço pelas pontas, mas não conseguia penetrar na área brasileira. Isso passou a ocorrer com mais frequência após a expulsão de Rivarola, mas o Tricolor conseguiu segurar o 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação.

Estava tão difícil sair o gol que nos pênaltis a bola balançou a rede só na quarta cobrança. Dois erros do Grêmio e um do Ajax que levaram os holandeses ao título. Em 2017 o panorama foi parecido, com  o Tricolor Gaúcho se fechando, resistindo aos seguidos golpes do Real Madrid até a barreira abrir na cobrança de falta de Cristiano Ronaldo. Duas perdas doídas, mas que não tiram os méritos de um time peleador, com o DNA gaudério.

Fontes: Correio do Povo, Folha de S. Paulo, Globoesporte.com, Placar, Trivela e UEFA.

1 Trackbacks & Pingbacks

  1. Calendário do futebol: dificuldade a ser gerida - Cenas Lamentáveis

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*