França passa por “batismo de fogo” e conquista bicampeonato mundial

Geração de jovens atletas mostrou na Rússia que qualidade e resultados podem andar juntos

Após duas décadas, Les Bleus voltam a ser os melhores do planeta (Foto: Darren Staples / Reuters)
Por Dudu Nobre, PR

Neste domingo (15), a França superou a Croácia no estádio Luzhniki e conquistou o mundo mais uma vez. Foi a vitória de uma geração promissora sobre uma equipe valente, mas que sucumbiu ao desgaste físico de sua trajetória até a decisão.

Muitos dos novos campeões nem entendiam como o mundo funcionava, outros sequer haviam nascido há 20 anos, quando o então volante Didier Deschamps levantou a taça inédita no Stade de France. Por outro lado, alguns já tinham que buscar seu lugar ao sol, seja nos gramados ou nas ruas, procurando entre o lixo da festa dos outros a felicidade pelo sustento do dia.

Essa é uma marca da seleção francesa em 2018: a capacidade de amadurecer nas adversidades. Dos 23 convocados para a Copa da Rússia, 11 estavam no elenco vice-campeão da Eurocopa, há dois anos, quando Portugal comemorou em terras parisienses.

Em algumas coletivas o elenco francês destacou que essa derrota em casa estava “engasgada” (Foto: Reuters)

Os questionamentos vieram, mas o elenco reagiu e se classificou com tranquilidade para o Mundial. No entanto, o início da Copa trouxe mais desconfianças após uma estreia difícil contra a Austrália, em que a vitória veio com uma ajuda tecnológica, e o 1 a 0 magrinho frente ao Peru, o que propiciou aquele “jogo de compadres” com a Dinamarca.

Mas um time que quer ser campeão do mundo tem que saber a hora de virar a chave. Assim aconteceu nas oitavas: Les Bleus chegaram a estar perdendo da Argentina, mas a virada veio em um dia mágico de Mbappé. Nas quartas, outro sul-americano encardido, mas Griezmann deixou claro que a admiração que tem pelo Uruguai não é empecilho para colocar a bola na rede.

O sarrafo ia subindo, e sem dúvidas chegou ao ponto máximo contra a Bélgica. Um grupo que saiu do videogame para incomodar e buscar um espaço no topo. Mas foi pelo alto que Umtiti adiou o sonho dos vizinhos para o Qatar.

Umtiti recebeu a proposta de atuar pela seleção camaronesa em 2015 (Foto: Natacha Pisarenko / AP)

Era hora de outra geração brilhar. Um elenco que começa com um potencial tenista de Roland Garros que trocou raquetes por luvas; na defesa, um Bleu que por um triz não vestiu La Roja e um leão indomável que recusou um pedido de Roger Milla.

No meio campo, um pequeno grande homem que teve o sonho negado por muitas vezes até que alguém percebesse sua capacidade em destruir jogadas. Ao seu lado, um atleta de ascensão meteórica, mas que para alguns ainda precisava provar o valor de suas cifras.

No ataque, um jovem que carregava uma expectativa compatível com sua habilidade. Se jogasse tudo o que sabia, nem precisava de centroavante. De uma forma ou outra, o elenco de Deschamps buscava afirmação. Ele mesmo tinha esse propósito, querendo se livrar da sombra de seu antigo camisa 10.

A Croácia bem que tentou, correu mais do que as pernas aguentaram, mas ninguém parou o ímpeto dos franceses em mostrar ao mundo que eram os melhores.

“Avante, filhos da pátria! o dia da glória chegou”.

Eleito craque jovem do Mundial, Mbappé integra o grupo de 15 franceses de origem africana no elenco campeão (Foto: Kai Pfaffenbach / Reuters)
 Fontes: El Pais, ESPN, G1, Globoesporte.com, Lance, Record e Trivela

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