Gabriel Jesus é um de nós

O GAROTO QUE ALCANÇOU O SONHO SEM SE ESQUECER DO PASSADO

Alô, Mãe! [Lucas/CBF]
Por Honorato Vieira, CE

“Glória, glória, ALELUIA… É GABRIEL JESUS.”

A torcida palmeirense entoava nas arquibancadas do Allianz Parque cada vez que o menino se destacava contra os adversários. Logo aos 17 anos, o moleque estreou no profissional e já foi sendo protagonista. Na reconstrução do Palmeiras, Jesus foi o símbolo da ressurreição alviverde no cenário nacional após anos de sofrimento. De cara, conquistou a Copa do Brasil, em 2015, decidindo o duelo contra o Cruzeiro, nas oitavas de final, com um golaço em cima do Fábio.

Mesmo com as críticas em cima da promessa palmeirense, o sucesso foi imediato. Com a humildade e carisma que são sua marca, o garoto se despediu do Palmeiras com um título brasileiro, em 2016. Foram 83 jogos com a camisa alviverde e 28 gols marcados com dois troféus na galeria do clube. Seus desafios eram outros. Brilhar na Europa. Após uma ligação de Pep Guardiola, treinador do Manchester City, onde o menino da favela não entendeu absolutamente nada da língua, ficou decidido que ele se aventuraria na fria cidade inglesa.

Com o português desgastado, o inglês seria um problema para a adaptação do brasileiro, certo? Errado! A linguagem que Gabriel Jesus fala melhor é a da bola nos pés. Encantado, Pep fez o maior artilheiro da história do clube, Kun Aguero, revezar a titularidade com Gabriel Jesus.

Gols, assistências, marcação pesada e uma inteligência tática absurda, formam os cartões de visita do paulista na Terra da Rainha.

Mas, o que esse texto coloca eu, você ou qualquer outro brasileiro na altura de Gabriel Jesus? 

Irei te contar. Quase todo moleque tem o sonho de virar um jogador de futebol, ajudar a sua quebrada após ficar rico e tudo mais. Dentre os milhares de sonhadores apenas 5% (sendo generoso) conseguem o tão sonhado objetivo. O pior disso tudo é que uma grande parte esquece de onde veio, quem ficou pelo caminho ou ajudou na sua caminhada.

Em entrevista para o excelente The Players Tribune, Gabriel Jesus contou coisas que pouca gente sabia, mas ninguém duvidava.  Do Jardim Peri para a Inglaterra, o garoto não perdeu a sua essência conquistada na várzea. ELA MOLDA CARÁTER! Com 14 anos, corpo franzino, mas muita personalidade, ele venceu as adversidades e aprendeu que a vida não é justa.

Como o próprio disse:

“O futebol é como tudo na vida. Não é justo, Então, você tem que dar um jeito, mesmo não parecendo justo”.

Ele deu um jeito e venceu na vida. Muita gente critica o futebol pelo alto patamar financeiro e os salários astronômicos das superestrelas, mas se esquecem que são poucos que tem essa regalia e que a maioria é como qualquer outro trabalhador brasileiro. Sim, um professor, o médico, o policial ou até você leitor deveria ser melhor remunerado, mas como disse Jesus, a vida é como o futebol  e ela não é justa.

Essa justiça nunca vem e muitos se perdem pelo caminho. A situação é precária e o sustento da família depende deles. O futebol vira desafogo, segundo plano até que o sonho acaba. Muitos grandes jogadores nem tentaram, pois a vida não justa. A oportunidade não veio e a ocasião faz o ladrão.

Gabriel Jesus teve a Dona Vera. Pai e mãe ao mesmo tempo que nunca deixou seu filho desistir de virar jogador de futebol. Quando ele comemora um gol com a mão fazendo o telefone é simbolizando o “ALÔ, MÃE”.

Como grande parte da molecada, a Dona Vera pegava no pé e sempre ligava para o ‘Tetinha’, apelido de infância, para saber onde estava, com quem andava e que horas voltaria.

A cena se repete após todos os gols de Gabriel.

Do Peri para o mundo [Reprodução/90 goals]

Ele não esqueceu de onde veio, ajudou o Pequeninos, clube onde foi revelado, e os projetos do Jardim Peri.

Gabriel Jesus é um de nós e faz questão de não mudar. O moleque da quebrada segue voando sem esquecer das origens.

“Alguns garotos têm videogame. Eu tinha a bola e a minha imaginação. E foi legal porque eu tive uma infância de verdade. Havia esses grandes torneios de futebol em que cada rua tinha um time, e o troféu era uma garrafa de refrigerante. Cara, era uma guerra por aquele refrigerante. É tudo o que você tem, sabe? Na real, aquilo era mais importante pra gente do que uma Copa Libertadores.”

 

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