Luka Modric, o homem que quebrou a roda

APÓS UMA DÉCADA ALTERNANDO ENTRE CRISTIANO E MESSI, O PRÊMIO DA FIFA TEM NOVO DONO

Luka Modric ostenta o prêmio de melhor jogador do mundo e a nomeação para Seleção da FIFA (Foto: Site RTP)
Por: Lucas Oliveira, MG

Dez anos é muito tempo. Se tratando de futebol, é uma ligeira eternidade. Ao longo da última década, a história foi escrita e reescrita diversas vezes no mundo da bola, ainda assim, sempre com os mesmos protagonistas. Cristiano Ronaldo e Lionel Messi criaram uma dominância sob esse esporte que era difícil imaginar o dia em que alguém seria capaz de desbanca-los. Para a maioria dos aficionados pelo jogo, as coisas começaram a ficar “estranhas” quando o argentino ficou fora do Top 3. Durante a hegemonia dos dois, havia sempre um “intruso” junto deles no pleito final. Andrés Iniesta e Wesley Sneijder foram os que chegaram mais próximos de conseguir a premiação, ainda assim, ambos estavam muito distantes do gajo e da pulga. O futebol apresentado por Luka Modric chamou à atenção do mundo futebolístico em diversos momentos do passado vitorioso que o croata viveu no Real Madrid, todavia, as atuações com a camisa quadriculada da Croácia foram imprescindíveis para a conquista do The Best.

A hegemonia de alguns atletas durante um período de tempo não é exclusiva do futebol. Nos anos 1990, Michael Jordan foi absoluto na NBA e levou o Chicago Bulls a seis títulos. Ninguém jamais havia dominado o atletismo mundial como Usain Bolt o fez na última década. Nunca houve – e provavelmente jamais haverá – alguém como Jordan ou Bolt, assim como possivelmente não surgirão jogadores como Cristiano e Messi – o que torna o feito de Modric ainda maior.

Chegar ao topo do mundo após uma década dominada por somente dois atletas é algo que talvez só conseguiremos mensurar daqui a alguns anos, quando Cristiano e Messi pendurarem as chuteiras, e jogadores diferentes pleitearem o The Best a cada temporada. Luka Modric deu início a essa nova era do futebol mundial nesta segunda-feira (24).

Modric exibindo os prêmios de melhor jogador da Copa do Mundo 2018 e melhor jogador da Europa da última temporada (Reprodução)

Apesar da excelente temporada com o Real Madrid, foi graças às atuações com o  belo uniforme quadriculado de sua pátria que o nome de Modric passou de especulação para realidade entre os melhores do mundo. As grandes partidas durante a campanha que culminou na melhor colocação da Croácia em Copas sem dúvida foram cruciais para decidir o voto dos jornalistas, jogadores e técnicos que participaram da votação.

O prêmio da FIFA é envolto de muitos significados. Nos anos 1990, o liberiano George Weah marcou seu nome da história ao tornar-se o primeiro jogador africano a conseguir o prêmio. Em 2013, Cristiano Ronaldo voltou a ganhar a honraria após quatro títulos em sequência de Lionel Messi. O gajo, naquela ocasião, não escondeu a emoção de novamente ser o melhor do mundo ao discursar sob lágrmias. Para Modric, chegar ao topo do mundo do futebol certamente é uma conquista repleta desses significados. O camisa 10, nascido na Iugoslávia, precisou fugir dos açoites da guerra de independência da Croácia ainda quando criança.

As voltas que o mundo dá são capazes de nos alçarem as mais diferentes realidades que sequer imaginamos. Num dia você é um garoto refugiado da guerra, enlutado com o assassinato de seu avô. No outro, você é o melhor jogador da Copa do Mundo, melhor jogador da Europa, e completa a tríplice coroa sendo considerado o melhor do mundo naquilo que faz. Nada mal, Luka Modric. Nada mal.

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