Marta: a rainha que nunca perde a majestade

JOGADORA FOI ELEITA A MELHOR DO MUNDO PELA SEXTA VEZ

Por Lucas Silva, AM

Novamente, a melhor jogadora do mundo é brasileira. Mais uma vez, Marta. Aos 32 anos, a alagoana da cidade de Dois Riachos mostra que ainda tem bola no pé de sobra. Em meio a tantas incertezas que assolam nosso país, temos uma certeza absoluta: a maior jogadora de futebol da história é brasileira. É Marta.

Na última segunda-feira (24), a premiação The Best, da Fifa, elegeu os melhores jogadores da temporada. Em meio a algumas controvérsias, as atenções foram voltadas para Luka Modric e Mohamed Salah. O croata desbancou, pela primeira vez desde 2007, Messi e Cristiano Ronaldo. Já Salah, que se tornou ídolo no Egito, foi vencedor do Púskas, prêmio dado ao gol mais bonito. Marta, por sua vez, botou todos eles no chinelo e foi eleita pela sexta vez a melhor jogadora do mundo.

A jogadora é uma unanimidade no país quando o assunto é futebol feminino. Sempre que lembrado, o nome vem à mente, acompanhado da memória daquele golaço contra os Estados Unidos na Copa do Mundo de 2007.

Foi eleita melhor do mundo pela primeira vez em 2006, desbancando a americana Kristine Lilly e a alemã Renate Lingor. Depois, tornou o feito comum, levando para casa o troféu por quatro anos consecutivos (2007, 2008, 2009, 2010). Nesse período, travou um duelo quase que individual com a alemã Birgit Prinz, que amargou a segunda colocação por três vezes, e a terceira colocação em 2010.

Em 2018, superou a norueguesa Ada Hegerberg e a alemã Dzsenifer Marozsan, jogadoras do Lyon-FRA, time que foi campeão francês de forma invicta e também da Liga dos Campeões.

Marta desbanca homens e mulheres

Com o título, Marta não só reafirma sua soberania no futebol feminino, mas também entra para uma lista seleta do futebol mundial. É a única atleta, entre homens e mulheres, a ser campeã atuando por três clubes diferentes. Em 2006, 2007 e 2008, Marta atuava pelo Umea IK-SUE. Já em 2009 e 2010, jogava pelo Santos. Esse ano conquistou o título jogando pelo Orlando Pride-EUA.

Em um dos maiores times da atualide no futebol feminino, Marta conquistou seu espaço e é fundamental na equipe. (Foto: Equalizer Soccer)

Mas não é esse o principal recorde batido pela jogadora. Com troféu desse ano, ela quebra a dinastia de Messi e Cristiano Ronaldo. Ambos os jogadores carregam cinco prêmios. Marta conquistou o sexto, se tornando a maior vencedora da história do futebol mundial.

Superação

Se já é difícil para um garoto sonhar em ser jogador de futebol, que dirá para uma garota. No meio de um esporte composto predominantemente por homens, em que o futebol feminino tem uma estrutura (quando tem) extremamente precária até mesmo nos grandes clubes. Vivendo no interior de Alagoas, pobre, e sem muitas perspectivas de vida. Marta tinha inúmeros motivos para desistir.

Marta saiu do interior do Alagoas aos 14 anos para correr atrás do sonho de jogar futebol. (Foto: AP Photo/Eugenio)

Em carta publicada no The Player’s Tribune ano passado, a meia-atacante detalhou algumas coisas de sua infância. Segundo ela, não se tem muitos registros, pois ter uma câmera era algo inacessível na sua condição.

Treinando sempre no meio de meninos, sendo julgada e pouco aceita nesse ambiente, jogou nos juniores do CSA-AL e do Santa Cruz. Aos 14 anos, decidiu pegar um ônibus rumo ao Rio de Janeiro para um teste no Vasco. É claro que foi aceita. Jogando pela equipe cruz-maltina, chegou à seleção brasileira. Brilhou nas competições internacionais. Com grande destaque principalmente na Copa do Mundo de 2007, logo teve seu talento reconhecido, sobretudo na Europa, onde o futebol feminino tem o seu valor.

Oito anos após ter sido eleita melhor do mundo pela última vez, Marta conquistou o prêmio novamente. Para muitos, a jogadora já estava esquecida. Muitos acreditavam que seu tempo, sua história e suas glórias, já tinham acabado. Ela, novamente, mostrou que não.

Jogando em um país que tem uma das maiores forças do futebol feminino, foi vice-líder de gols na Liga Americana, e líder de assistências, sendo peça fundamental no elenco do Orlando Pride. Também ajudou a seleção brasileira a conquistar o sétimo título da Copa América, que foi disputado em Abril, no Chile.

Marta representa uma geração do futebol feminino que, mesmo sem apoio no país, nos encantou pela garra e técnica apresentada. Serviu e ainda serve de exemplo para mulheres que sonham em jogar profissionalmente, mesmo com as opções tão limitadas. Seis prêmios de “melhor do mundo” são só um detalhe diante dessa personagem que inspira milhares de meninas pelo Brasil afora. Não à toa é a rainha. Rainha Marta!

Fonte: Globo Esporte, Blog Trivela, The Player’s Tribune, GazetaWeb.

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