Marta, a rainha do futebol feminino

A MELHOR DA HISTÓRIA

Por: Vinicius Falavigna, SP

Todos sabemos que a realidade de jogador de futebol não é fácil, principalmente no Brasil. Se for mulher, então, a dificuldade é em dobro. O preconceito impera; as condições são precárias; e a batalha para conseguir uma chance que seja, por muitas vezes, mina o sonho de milhares de meninas em se tornarem atletas profissionais. Mas, no dia 19 de fevereiro, só que no ano de 1986, em Dois Riachos, cidadezinha do Alagoas, nascia uma figura emblemática que inspiraria – e inspira – o sonho de várias meninas pelo Brasil afora.

Se temos o Rei Pelé, Marta Vieira da Silva, ou apenas Marta, é a rainha do nosso futebol brasileiro e, para mim, a maior jogadora de todos os tempos. Com sua perna esquerda mágica, já foi escolhida como melhor do mundo por cinco vezes CONSECUTIVAS. Conquistou dois ouros de Jogos Pan-Americanos (Santo Domingo, 2003 e Rio, 2007). Nas duas principais competições, foi vice: prata nas Olimpíadas de Atenas, 2004 e Pequim, 2008, além da Copa do Mundo de 2007. Azar dos torneios.

Foi campeã por praticamente todos os clubes que passou: Vasco, Umea IK-SUE, Santos, Gold Pride-EUA, Western New York Flash-EUA, Tyreso FF-DIN e FC Rosengard-SUE, seu atual clube. Só não levantou a taça no clube que a projetou, o Santa Cruz, de Minas Gerais.

Começo difícil

Desde os sete anos, Marta já se interessava por futebol. Jogava com primos e amigos de infância, pelas ruas de sua cidade natal. Ainda jovem, sentiu o preconceito por ser mulher e gostar do esporte. Já confidenciou em entrevistas que dentro da sua própria família não era bem vista por correr atrás da bola no meio de garotos.

Foi descobrindo seu talento ao longo dos anos e, aos 14, se mudou para o Rio de Janeiro, para atuar pelo Vasco da Gama. Em 2003, vestiu a camisa da Seleção Brasileira nos Jogos Pan-americanos e conquistou a primeira a medalha de ouro. Ainda com 18 anos, bateu na trave em Atenas e, na sequência, assinou com o Umea IK da Suécia.

A partir daí, sua carreira deslanchou. Aos poucos foi se tornando a rainha que nosso futebol precisava. Jovem e carismática, ganhou notoriedade em um país onde o futebol masculino sempre foi febre, mas o feminino, ignorado. Seu primeiro prêmio de melhor do mundo veio em 2006, com apenas 20 anos. Não parou de ganhar até 2009. Um feito entre homens e mulheres, que provavelmente nunca será batido. É a maior artilheira da história das Copas do Mundo de Futebol Feminino, com 15 gols, além de ser a futebolista que mais fez gols com a camisa amarelinha, 101, desbancando até Pelé.

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Ela foi considerada a melhor do mundo cinco vezes consecutivas (Crédito: Fabrice Coffrini/AFP)

Camisa 10

Esta mística camisa é muito importante nas quatro linhas. E não podia estar mais bem representada. Marta é sinônimo de show. São 1,62 de pura habilidade com a bola nos pés. A cada ano que passa, ela chama mais atenção pela quantidade de recursos. Canetas, chapéus, dribles da vaca, cortes secos e curtos, que deixam as marcadoras desconcertadas. Sempre chamou a responsabilidade para si, pois tem a noção do quanto pode desequilibrar um jogo difícil.

Com o mesmo número de Pelé, sempre foi a referência da Seleção, assim como foi pelo Santos, em 2009, quando veio para o projeto “Sereias da Vila”. Ao lado da também craque Cristiane, foram campeãs da Copa do Brasil e da Libertadores. No ano seguinte, foi para seu primeiro clube nos Estados Unidos, o Gold Pride. Voltou em 2011 para o Santos. No mesmo ano, rumou novamente para a terra do Tio Sam, dessa vez para o Western New York Flash. Por conta de maiores investimentos, voltou para a Suécia, onde permanece até hoje. Lá, ganhou a independência financeira.

Nascida em um país onde cerca de 82% jogadores profissionais recebem até dois salários mínimos, imagine como deve ser difícil para as jogadoras, que também sonham em se destacar e viver disso. Além de craque, é uma guerreira, humilde, e que merece todos os louros de sua vitoriosa carreira. Marta, rainha, meus parabéns pelos seus 32 anos. Confesso que um dia quis que você jogasse no meu time, para tentar ensinar os pernas de pau a jogarem bola. Vejo que estava completamente errado. Seu lugar é no mais alto topo do lugar onde você foi prometida. Seu talento é uma dádiva e, tenho certeza, uma inspiração para muitas jovens que querem, um dia, ser como você.

Brazil's Marta celebrates her goal against the United States during their semifinal match at the 2007 FIFA Women's World Cup soccer tournament in Hangzhou, China, Thurday Sept. 27, 2007. Looking on are U.S. players, from left, Kate Markgraf, Cat Whitehill , Shannon Boxx and Lori Chalupny (AP Photo/Greg Baker)
Marta comemora gol contra seleção dos Estados Unidos (AP Photo/Greg Baker)
Fonte: Folha, Modices, G1, Extra.

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