Mulheres iranianas: a luta pela retomada do que já lhes pertenceu

MULHERES QUEREM VOLTAR A FREQUENTAR OS ESTÁDIOS

Iranianas torcendo pela sua seleção na Copa do Mundo, algo proibido em seu país (Foto: AFP)
Por Marcella Lorandi, RS

As arquibancadas russas viram a história acontecer bem diante dos seus olhos com as iranianas frequentando os estádios. Há mais de vinte anos mulheres do país lutam pelo direito de acompanhar os jogos in loco. A última vez que elas puderam assistir uma partida de futebol foi em 1979, logo após o fim da Revolução Iraniana, quando os muçulmanos assumiram o poder e vetaram, dentre vestimentas específicas, o acesso aos estádios em jogos de times masculinos. Uma segregação que segue imposta até os dias atuais. Medida separatista que é justificada pelas autoridades iranianas como forma de proteção a mulher, afinal o ambiente do futebol é “grosseiro e inadequado a mulheres e famílias”, medida essa que não tem nenhum cunho religioso.

No entanto, algumas mais corajosas ignoram a imposição das autoridades, vestem barbas e perucas, e assistem seus clubes. Essa ousadia já virou notícia no mundo e também deu vida ao filme Offside, que mostra um grupo de mulheres tentando assistir Irã e Bahrein, no Teerã.

Mãe e filhas iranianas na estreia do seu país contra o Marrocos pelo grupo B (Via: Getty Images)

Mas talvez estejamos um passo mais próximo da igualdade. Desde que a Arábia Saudita permitiu o ingresso de mulheres em partidas de futebol, em janeiro deste ano, a reivindicação feminina passou a ser ouvida com mais atenção. A partida entre Irã e Espanha teve diversas manifestações na Arena Kazan, na cidade de Kazan, quando torcedores de diferentes nacionalidades se manifestaram com cartazes pedindo para que o governo deixe as iranianas torcerem, e que acabou se estendendo para as redes sociais com a hashtag NoBan4Women. E mais que isso, no estádio Azadí – que significa liberdade –, no Teerã, capital do Irã, homens e mulheres puderam finalmente dividir o mesmo ambiente para assistir pelo telão a partida entre os iranianos e os espanhóis, e ainda que com a derrota de seu país, o dia foi histórico.

Faixa de protesto em prol da presença das iranianas nos estádio do país (Via: Getty Images)

E a imagem positiva da Copa até agora é das mulheres iranianas assistindo jogos do Mundial no estádio, torcendo das arquibancadas, e ocupando esse protagonismo para protestar pelos seus direitos. Enquanto tudo isso acontece diante de centenas de milhares de lentes de câmeras programadas e posicionadas para filmar e fotografar absolutamente tudo. Principalmente eternizar a distinta presença feminina iraniana nos estádios russos, para lembrarmos sempre que cada passo, largo ou não, nós seguimos juntas na retomada do que nos pertence, e na conquista do que merecemos.

Fonte: El País, Daily Star

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