Noite mágica em 1973: Athletico venceu Boca Juniors no único confronto da história

Duelo aconteceu em Curitiba pela Taça Atlântico Sul daquele ano

Manchete da Tribuna do Paraná de 30 de janeiro de 1973 repercutindo o triunfo do Athletico em cima do Boca Juniors (Foto: Acervo Biblioteca Pública do Paraná).
Por Dudu Nobre, PR

A Copa Libertadores da América é o torneio mais cobiçado pelos torcedores do nosso continente, que desde o sorteio já criam expectativas sobre o que irá acontecer. Quando as bolinhas indicaram que o Athletico Paranaense ficaria no mesmo grupo que o poderoso Boca Juniors, alguns ficaram em êxtase e outros sentiram calafrios, afinal é o clube com mais títulos dentre os participantes da edição 2019.

No entanto, os atleticanos mais supersticiosos têm motivos para acreditar que o time pode superar a equipe xeneize. Athletico e Boca só se enfrentaram uma vez antes dos duelos deste ano, em 29 de janeiro de 1973 no estádio Belford Duarte (hoje Couto Pereira) pela Taça Atlântico Sul. Naquela ocasião, os paranaenses superaram os argentinos em um jogo que ficou marcado na história.

A expectativa antes do confronto

A Taça Atlântico Sul surgiu de uma iniciativa da Federação Gaúcha de Futebol (FGF) em parceria com as confederações de Argentina e Uruguai para fortalecer os clubes rio-grandenses no cenário continental. Naquela edição, além de Athletico e Boca, participaram Grêmio, Nacional-URU, Peñarol-URU e o Avaí, chamado às pressas após o Internacional não conseguir se organizar a tempo de disputar o torneio.

Os favoritos para a conquista do título eram os clubes uruguaios. Formando a base da seleção semifinalista da Copa do México em 1970, os rivais de Montevidéu já somavam quatro títulos de Libertadores, sendo que o clube tricolor havia sido campeão do mundo dois anos antes.

O Boca Juniors, mesmo que ainda sem conquistas continentais, era tratado com muito respeito pela imprensa paranaense. Além dos títulos nacionais que levou na década anterior, os jornais destacavam a qualidade de jogo do time xeneize, apontando o Boca como a “nova escola do futebol argentino”.

Os destaques eram Malbernat e Pachamé, integrantes do time do Estudiantes-ARG que conquistou a América no final da década de 1960. Naquele elenco, outros atletas estavam prontos para despontar, casos do atacante Carlos Guerini, que iria para o Real Madrid ainda nos anos 70, e o zagueiro Roberto Mouzo, jogador que mais vestiu a camisa azul e amarela na história (426 jogos).

Mouzo, jogador que mais vestiu a camisa do Boca Juniors, estava em campo naquela noite (Foto: Reprodução Roberto Ramasso)

Pelo lado atleticano, o objetivo era se reabilitar da derrota na estreia frente ao Peñarol-URU.  O escrete carbonero venceu por 2 a 1, mas o Rubro-Negro teve dois gols anulados e a partida foi marcada por uma briga generalizada.

As cenas lamentáveis começaram após o segundo gol não ser validado, com o jogo parando por sete minutos de muita reclamação. Quando a bola rolou novamente, Madureira sofreu uma falta e o zagueiro Fernandez chutou o adversário caído, dando início a pancadaria. Todos entraram na dança, inclusive com a torcida arremessando latas no gramado.

Para o jogo seguinte, os jornais enfatizaram a busca do goleiro Neuri em se redimir da atuação anterior. Além disso, o treinador Valdemar Carabina promoveu a entrada de Torino no time titular. A imprensa também comentou a renovação de Sicupira com o time atleticano. O jogador estava emprestado ao Corinthians, mas assinou “em branco” com a diretoria rubro-negra, se submetendo a qualquer proposta do clube para voltar a Curitiba.

Mesmo com mudanças, os triunfos que o time argentino havia conseguido anteriormente, vencendo Grêmio e Avaí, colocavam uma pulga atrás da orelha do torcedor atleticano.

Madureira, o autor do gol da vitória atleticana no Belford Duarte (Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo)

O Grande Duelo

Foi nesse contexto que as equipes chegaram para o duelo no estádio Belford Duarte. Segundo os jornais, o jogo começou com a defesa local bem postada, mas a meia cancha não conseguia desenvolver jogadas. Aos 16’, Romero lançou Ferrero, que passou por Di e tocou na saída de Neuri para abrir o placar para o Boca.

Após o baque, Renatinho entrou no jogo e o setor de criação passou a incomodar os argentinos. Até que, aos 39 minutos, Torino tabelou com Babá e recebeu entre os zagueiros para empatar o marcador. Alegria da torcida e do treinador Carabina, que acertou na mudança do time.

De acordo com a imprensa da época, o começo do segundo tempo não foi muito empolgante, mas a partir dos 25 minutos o time do Boca recuou e o Athletico começou a desperdiçar chances. No entanto, aos 37, Torino lançou Liminha, que entrou na etapa final. Vidalle saiu de forma atabalhoada e fez uma falta na intermediária.

Renatinho cobrou forte e Madureira entrou como uma flecha na área, dando um toque de bico para definir o placar em Athletico 2×1 Boca Juniors. Naquela noite, as equipes foram a campo com:

Athletico: Neuri; Vanderley, Di, Almeida e Julio; Sérgio Lopes, Torino e Renatinho; Buião, Madureira e Babá (Liminha). Técnico: Valdemar Carabina.

Boca Juniors: Vidalle; Malbernat, Mouzo, Rogel e Ovide; Pachamé, Romero e Potente (Trossero); Ferro, Curioni e Guerini (Galetti). Técnico: Rogelio Domínguez.

No restante da Taça Atlântico Sul, os dois times fizeram campanhas discretas, ficando em quarto (Boca) e quinto (Athletico) no certame – o vencedor foi o Peñarol-URU. Dali os Xeneizes partiram para construir a vitoriosa história que hoje ostentam, enquanto que o Athletico oscilou, mas nos últimos anos vem evoluindo no cenário nacional e sul-americano.

No próximo dia 2 de abril, as equipes se encontram novamente, desta vez pela Libertadores. Resta saber se os argentinos conseguem escrever um capítulo diferente ou se o Rubro-Negro da Baixada repetirá a dose. Independentemente do resultado, o fato é que em 1973 o Athletico calou o Boca em Curitiba.

Fontes: Acervo Biblioteca Pública do Paraná, Clicgrêmio, Gazeta do Povo, Globoesporte.com, O Estado do Paraná, RSSSF e Tribuna do Paraná.

1 Comentário em Noite mágica em 1973: Athletico venceu Boca Juniors no único confronto da história

  1. Queria entender como que uma pagina que prega o amor ao futebol tradicional (raiz como usam hoje em dia) faz uma matéria sobre um time que representa tudo de ruim na historia desportiva, um clube pequeno que se acha grande e que teve que vender sua identidade para ter alguma importancia nacional. Tenho mais respeito ao seu “caduco” rival que ainda se mantem em tradiçao do que esse timinho “da moda”.

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