O dia em que o CSA chegou à final da Copa Conmebol

O dia em que o CSA de Alagoas foi o Brasil na América do Sul

“O mesmo azul do céu, o mesmo azul do mar, o mesmo azul que mora em meu coração”. Assim é cantado na música “Lá Vem o Meu Azul” pela torcida do Centro Sportivo Alagoano, clube que ostenta o posto de detentor de maior campeão alagoano com o expressivo número de 37 títulos.

Em 2017, o azul brilhou com o primeiro título nacional da equipe, o Campeonato Brasileiro da Série C conquistado sobre o tradicionalíssimo Fortaleza. Mas, dessa vez, falaremos de uma história um pouco mais antiga da agremiação alagoana, que rendeu uma outra alcunha de respeito: a de única equipe nordestina finalista de uma competição continental.

Time vice-campeão da Copa Conmebol.

A competição

Para contar essa história, voltaremos ao ano de 1999. Naquele final de século seriam disputadas 3 competições continentais na América do Sul: a tradicional Copa Libertadores, a já extinta Copa Mercosul e a também extinta Copa Conmebol. A quantidade exagerada de torneios proporcionou uma edição alternativa da Copa Conmebol daquele ano.

A vaga no torneio, que proporcionou uma das mais belas páginas da história do CSA, se deu de maneira inesperada. Quarto colocado da Copa do Nordeste do mesmo ano, o Azulão pôde disputar a competição continental após recusa dos 3 primeiros colocados do Nordestão.

A campanha do Azulão até a final se iniciou com vitória nos pênaltis sobre o Vila Nova de Goiás, após cada equipe vencer sua partida como mandante por 2×0. O placar de 4×3 nos pênaltis assegurou a vaga para a quartas de final, fase em que enfrentariam o Estudiantes da Venezuela.

Nas quartas, o CSA jogaria a primeira partida oficial de um clube alagoano fora do Brasil. O marco não inspirou o esquadrão alviceleste e, em uma partida pouco movimentada, o empate sem gols permaneceu no placar até o apito final. Na partida de volta, no entanto, vitória tranquila por 3×1 e restava apenas 1 passo para alcançar a final.

O adversário da semifinal foi o São Raimundo-AM. Fora de seus domínios, o maior campeão de Alagoas seguiu ineficiente e perdeu o jogo de ida pelo placar mínimo. No jogo de volta, apesar de sair na frente do placar, o Azulão cedeu o empate e só foi igualar o placar agregado aos 46 minutos da segunda etapa, gol do zagueiro Jivago que levou a decisão novamente para as penalidades, que seriam vencidas pelo CSA após o goleiro Veloso defender uma cobrança do adversário e a equipe mandante ter convertido todas as cobranças.

 

A final

Uma final de competição sul-americana entre equipes de Brasil e Argentina não poderia ser mais alternativa. CSA e Talleres duelariam pelo título da Copa Conmebol de 1999.

A vaga na competição, assim como aconteceu com a equipe brasileira, foi garantida após desistência do também argentino Gimnasia. No caminho percorrido até a final, os argentinos já haviam batido o Paraná, além de Oriente Petrolero-BOL e Desportes Concepción-CHI.

Entre os nomes do Talleres, alguns chamam a atenção por posteriormente terem história no futebol brasileiro. O zagueiro Julián Maidana teria sua oportunidade no Grêmio em 2006, mas longe de alcançar o sucesso obtido em solo argentino, atuando também no Racing Club e no Newell’s Old Boys, equipes de respeito continental. O atacante Darío Gigena seria importante na Ponte Preta em 2003 ao marcar 3 gols no clássico contra o Guarani, sendo crucial para evitar o rebaixamento da Macaca no Campeonato Brasileiro de 2003. Ricardo Gareca era o comandante da equipe, treinador que teve passagem sem destaque pelo Palmeiras recentemente, em 2014.

 

Dentro de campo

Comemoração no gol do título da final.

A noite do dia 1º de dezembro de 1999 seria histórica. O estádio Rei Pelé, em Maceió, poucas vezes recebeu uma partida com tamanha importância, e o CSA, inspirado, presenteou os torcedores ali presentes com uma atuação de gala. Logo na primeira etapa o placar já mostrava 3×1 para a equipe brasileira que surpreendia, já com 2 gols de um endiabrado Missinho. A segunda metade não se iniciou de maneira diferente e Missinho completou seu hat-trick logo aos 2 minutos. Quando tudo parecia definido, o atacante argentino Astudillo marcou em uma bela finalização de fora da área já nos minutos finais da partida.

O jogo de volta foi marcado pelo clima hostil criado pelo Talleres. A tradicional catimba argentina se fez presente e deu contornos ainda mais dramáticos à final. Nas vésperas da partida, a direção da equipe argentina impediu que o CSA treinasse no estádio Olímpico de Córdoba, palco da decisão. E dentro de campo, como já era de se esperar, o Azulão teve que enfrentar adversários além dos 11 jogadores que estavam do outro lado.

Ainda era início de partida e os jogadores mal estavam aquecidos quando o meia Fábio Magrão, destaque da equipe goiana, foi expulso por encostar no árbitro durante uma reclamação. Com um a menos durante praticamente toda a partida, caberia ao CSA resistir à pressão imposta pelo Talleres. A missão por pouco não foi cumprida.

No final do primeiro tempo, aos 39 minutos, o primeiro gol da equipe anfitriã foi marcada pelo meia Silva. O resultado ainda era suficiente para assegurar o título para os brasileiros, mas, aos 30 do segundo tempo, Darío Gigena empataria a partida no resultado agregado e, naquele momento, a decisão seria nas penalidades. Com requintes de crueldade, Julián Maidana decidiu a Copa Conmebol de 1999 com gol de cabeça nos acréscimos.

Diferentemente do dia primeiro de dezembro de 1999, aquele dia 8 do mesmo mês teria um gosto amargo muito contrário à euforia da histórica partida no Rei Pelé. Mas, se não foi possível ter mais uma taça em sua extensa galeria de trofeus, o CSA ao menos escreveu uma de suas mais belas histórias.

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