O gol solitário do Panamá que emocionou todos os amantes do futebol

EQUIPE E TORCEDORES COMEMORARAM COMO UM TÍTULO

A festa da torcida panamenha e a mais pura representação do que é uma Copa do Mundo
Por Gabriel Ferreira – MG

O relógio apontava 32 minutos da segunda metade da partida entre Inglaterra e Panamá. O “English Team” trocava passes como em treinamento e apenas esperava o tempo passar, ostentando uma vitória acachapante por 6×0 que garantia a classificação para as oitavas de final, e a vantagem de jogar pelo empate na última partida da primeira fase contra a Bélgica para garantir a liderança do Grupo G. O estreante em Copas Panamá estava desestabilizado, sem conseguir ser competitivo frente a uns dos candidatos ao título mundial, e via seus minutos na Copa do Mundo de 2018 se esvaírem. A eliminação era questão de tempo.

Em uma das poucas aparições no campo de ataque, o Panamá conseguiu falta na zona intermediária, oportunidade ideal para jogar a bola na área inglesa. Ricardo Ávila – jovem meio-campista que realizava apenas sua sexta partida pela seleção – foi para a cobrança. De maneira displicente, a defesa da Inglaterra falhou ao realizar a linha de impedimento e o zagueiro Felipe Baloy surgiu sozinho na área e teve a oportunidade de diminuir o placar. Como se carregasse consigo a força de cada um dos compatriotas que assistiam àquela partida, Baloy se jogou na bola, ignorando os 90 quilos que o prendiam ao chão e deslizando no gramado; o suficiente para vencer o goleiro Pickford e marcar o primeiro gol da história de sua seleção em uma Copa do Mundo.

Felipe Baloy se emociona após gol histórico (Foto: Reuters)

O tento marcado pelo zagueiro passaria despercebido pela maioria, mas, no momento em que a câmera passou pelas arquibancadas na arena Nijni Novgorov, na Rússia, a alegria panamenha tomou conta de quem acompanhava a partida. Como se aquele fosse o gol da vitória do Panamá sobre a poderosa Inglaterra, os torcedores da seleção caribenha pulavam de alegria. O mesmo acontecia nos pontos de encontro de fãs da “Maré Vermelha” em qualquer extremidade do planeta.

Naquele instante, sem dúvida, a Copa do Mundo de 2018 tinha um dono. E não era nenhum dos tradicionais esquadrões, “Seleções” no mais completo sentido da palavra, com jogadores dos principais clubes. Era de uma Seleção cujo país parou há 8 meses, no dia 10 de outubro de 2017, quando Román Torres marcava heroicamente o gol da classificação do Panamá para o Mundial, aos 43 do segundo tempo da partida contra a Costa Rica. Era de uma equipe sem nenhum representante nas mais importantes ligas do mundo, mas que festejava cada momento na Rússia de maneira única. Como era, de fato.

Festa nas arquibancadas russas (Foto: Reuters)

Na comemoração, Felipe Baloy chorou. No alto de seus 37 anos, o jogador, que completava sua 101ª partida pela seleção e que faz sua última competição pela sua nação, tinha a prova de que o futebol pode emocionar até mesmo quem já viveu quase de tudo no esporte.

Com ele, todo um povo que sentia, pela primeira vez, o gosto de se estar neste desfile de nações que ocorre a cada quatro anos e de, ao menos por um pequeno e eterno instante, ser protagonista em um dos maiores eventos esportivos do mundo.

Nem todo mundo irá entender o que aconteceu na cidade de Níjni Novgorov neste domingo, 24 de junho de 2018. O tempo irá apagar da memória da maioria das pessoas o placar da partida entre a Inglaterra e o Panamá. Muitos irão esquecer, até mesmo, que essa partida ocorreu. Mas Felipe Baloy e outros 4 milhões de panamenhos, sem dúvida, guardarão o dia em que tiveram para si os holofotes, mesmo estando no meio de gigantes.

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