O que faz um jogador ser ídolo?

A idolatria pode vir por acaso ou não

O maior da história não jogou somente pelo Santos, mas não deixa de ser ídolo por onde passou (Foto: Reprodução/blogdoodir.com.br)
Por: Victor Portto, CE.

Exemplos de longevidade e fidelidade a uma camisa não faltam no meio esportivo (Maldini, Marcos, Rogério Ceni, Totti, dentre tantos outros), mas há também os jogadores que se transformaram em unanimidades pelos clubes que passaram por títulos e passagens marcantes (Zico, Batistuta, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e etc.). Mas afinal, qual a definição de ídolo no futebol atual? O que faz um jogador ser uma entidade de um determinado clube? Em um período tão marcado pela força do dinheiro no mercado da bola, o que faz um atleta ser amado por uma torcida?

O ídolo máximo de um time (Foto: Reprodução/corrieredellosport.it)
O ídolo máximo de um time (Foto: Reprodução/corrieredellosport.it)

Os mais românticos dirão que ídolo é aquele jogador que defendeu somente uma camisa a sua carreira inteira, outros dirão que foi o brilhantismo pelo qual apresentou quando atuou pelo seu clube e há ainda a categoria dos ídolos folclóricos – aqueles que são eternizados na memória do torcedor por um gol marcante ou decisivo (olá, Gabiru), da identificação com a torcida mesmo sem necessariamente ser um talento nato (Fio Maravilha no Flamengo e Biro-Biro no Corinthians são exemplos desse estilo) ou por declarações polêmicas na mídia (Romário, Renato Gaúcho e Túlio Maravilha deixam saudades nesse momento) e, por último, a figura do craque alternativo (fãs de Nakata, Okocha e outros jogadores da década de 90 de países sem tanta tradição no futebol que o digam).

Com as cifras que rondam o futebol atual, fica mais raro ver exemplos de jogadores que atuam somente por um time a carreira inteira, no cenário brasileiro essa realidade hoje beira ao impossível nos grandes clubes do país. Sobre esse retrato da nossa situação, basta pensar um pouco: quais times de elite no Brasil possuem seus ídolos atuais oriundos da sua base? Nenhum. E isso demonstra a dificuldade que as equipes têm de cultivar o talento e a idolatria andando juntas no futebol moderno em terras tupiniquins. Se surge um breve candidato a bom jogador vindo da categoria de base, que pode ter um futuro promissor na carreira, logo surge um caminhão de dinheiro de qualquer local do mundo para levar cedo aquele talento que poderemos ver brilhando bem longe daqui.

Há inicialmente uma escassez de figuras idolatradas no panorama geral das grandes equipes do futebol brasileiro atualmente, ainda que haja exceções como o goleiro Fábio no Cruzeiro e o meia D’Alessandro no Inter (jogadores com bastante identificação por seus clubes e que há muito tempo defendem estas equipes). Hoje, o mais comum é a volta do antigo xodó quando não tem mais mercado no exterior ou acha que chegou a hora de retornar ao país (caso de Hernanes pelo São Paulo). As passagens marcantes dos atletas os tornam postulantes a ídolos nos times, nada além disso

Partindo para o cenário internacional o panorama não muda muito, sendo feito de algumas exceções, mas em geral a força do dinheiro tem falado mais alto. Hoje os grandes ídolos do futebol mundial, devido à disparidade econômica entre a Europa e outros mercados, atuam no continente europeu e longe das suas origens muitas vezes. Gigi Buffon não surgiu na Juventus, Cristiano Ronaldo idem no Real Madrid e Messi não é espanhol, mas todos são ídolos máximos nas suas equipes por todos os títulos e a identificação que criaram com estas equipes. Casos de Iniesta, De Rossi e Busquets que por enquanto só usaram uma camisa na carreira, por exemplo, serão cada vez mais exceções justamente por toda a dinâmica competitiva do futebol – quando o atleta já não é mais útil ao time pode ser descartado mesmo tendo uma grande história junto à instituição.

Um grande ídolo que já vestiu outras camisas (Foto: Reprodução/goalkeepermagazine.com)
Um grande ídolo que já vestiu outras camisas (Foto: Reprodução/goalkeepermagazine.com)

Os ídolos de gols marcantes são os mais fáceis de continuar existindo porque o futebol é capaz de levar alguém do inferno ao céu em um lance. Os esforçados ruins de bola que as torcidas amavam são itens praticamente inexistentes no cenário atual, talvez somente a figura do Romero do Corinthians se assemelhe a esse tipo de jogador nos grandes times do país. Os personagens criados pela identificação com as torcidas são peças cada vez mais raras devido ao forte controle de assessorias esportivas e cuidados no gerenciamento do marketing da carreira dos atletas – falar algo com falavam antigamente em tom de provocação praticamente não existe mais, infelizmente.

Os jogadores de cenários alternativos agora são mais conhecidos pela existência dos jogos de videogame e uma maior popularização destas plataformas, além de um aumento da transmissão de vários campeonatos do mundo, visto que são muitos profissionais que em geral atuam no futebol europeu ou em outros mercados que os fazem ter mais visibilidade que antigamente. Por consequência, serem os craques de suas seleções de pouca tradição não os torna mais tão inusitados assim e ser craque alternativo hoje é ser um ícone no Irã, Síria e outros países de minúscula expressão no esporte.

E para você, torcedor, o que é um ídolo? Concorda com o que foi dito aqui? Discorda? Deixa a sua ideia aí.

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