Quando a arte de ser craque está no DNA

O MAGO DE LA CORUÑA

Djalminha e seu pai Djalma Dias, em 1987. (Foto: Revista Placar/Alexandre Battibugli)
Por: José Victor, RJ

Futebol é uma paixão que une famílias e muita das vezes é a personificação do amor que um pai transmite para um filho. Alguns casos vão além do lazer, a vivência do esporte passa do ponto e torna-se profissão. O panorama sem dúvida passa a ser diferente. Num país tão patriarcal, não é difícil achar, principalmente em famílias de elite, filhos que seguem a mesma profissão do pai. Médicos, advogados, empresários e políticos.

Mas e no futebol? Mesmo com o famoso QI (Quem Indica), são raros os casos em que pai e filho conseguiram construir carreiras sólidas e vitoriosas. Djalma Dias e Djalminha se encaixam nesse recorte, tanto pai quanto o filho fizeram história. Passaram pela Seleção Brasileira e se encontram na galeria de ídolos do Palmeiras. A responsabilidade de ser um craque como pai não pesou para o pequeno Djalma.

Djalma Dias e Djalminha, os dois conseguiram ser ídolos com a camisa do Palmeiras (Foto: Reprodução Internet)
Djalma Dias e Djalminha, os dois conseguiram ser ídolos com a camisa do Palmeiras (Foto: Reprodução Internet)

Poucas figuras conseguem sintetizar tão bem o que foi o futebol brasileiro nos anos 90 quanto Djalma Feitosa Dias, o Djalminha. O temperamento explosivo e a tranqüilidade para executar as jogadas o fizeram um dos personagens mais marcantes do período. A trajetória do meia é fantástica.

Jogou no Flamengo de 1989 até 1993, conquistando ainda no início da carreira os títulos da Copa do Brasil de 1990 e do Campeonato Brasileiro de 1992. O jogador também fez parte de uma safra do clube da Gávea que subiu com muita expectativa. A geração que foi campeã da Copa São Paulo de 1990 e tinha nomes como Júnior Baiano, Paulo Nunes e Marcelinho Carioca.

Apesar dos anos no Flamengo, Djalminha não alcançou o protagonismo no rubro-negro. Chegou no Guarani em 1993 e marcou época pelo Bugre. Já na primeira passagem, o jogador conquistou a bola de prata da revista Placar, e figurava entre os melhores do país.

O sucesso meteórico com a camisa do Alviverde de Campinas o fez migrar para o Japão, onde teve um curta passagem pelo Shimzu S-Pulse. Retornou ao Guarani em 1994,  alcançando as semis do Campeonato Brasileiro, quando acabou eliminado para o épico Palmeiras que se consagraria campeão daquela edição. O eterno ídolo do Guarani foi fundamental para municiar a dupla de ataque composta por Amoroso e Luizão, mas no ano seguinte, se transferiu para o Palestra e escreveu seu nome na academia de futebol, e assim como o pai, o pequeno Djalma brilhou.

Djalminha chegou ao Palmeiras em 1996 para escrever seu nome na história do clube (César Itibere/ Folha Imagem)
Djalminha chegou ao Palmeiras em 1996 para escrever seu nome na história do clube (César Itibere/Folha Imagem)

Em 1995, foi mais uma contratação galática do Palmeiras da Parmalat. No Verdão, conquistou o Paulistão de 96, edição na qual o ataque da equipe balançou a rede mais de 100 vezes. Após realizar 88 partidas pelo time, o meio-campista se despediu em 97, já realizando o sonho de chegar à seleção brasileira e rumou para o Deportivo La Coruña. No time espanhol escreveu uma história linda, colecionando lances, títulos e claro, algumas polêmicas devido ao temperamento explosivo.

Conquistou o inédito título do Campeonato Espanhol na temporada 1999/00 pelo time da Galícia. Dono de vários lances épicos ganhou o apelido de mago e o coração dos torcedores. Porém, um lance negativo marcou sua passagem no clube.

Djalminha acertou uma cabeçada no técnico Javier Iurerta, e com isso, acabou ficando de fora da Copa do Mundo de 2002, quando possivelmente se consagraria campeão mundial. Reverenciado como um Deus no La Coruña, o jogador encerrou a passagem pelo clube em 2003 após ser emprestado para o Austria Wien.

Na temporada de 2004, terminou a brilhante carreira aos 34 anos após poucos jogos pelo América do México. O rei da cavadinha ainda brilhou muito no showbol após pendurar as chuteiras dos gramados. Neste derivado do futebol de campo, atuou por Guarani, Flamengo (seu time de coração) e Seleção Brasileira, o que nos permitiu testemunhar por mais tempo a tamanha habilidade desse jogador fora de série. O capitão do penta Cafú e o volante Amaral já afirmaram que Djalminha foi o meio de campo mais habilidoso com quem tiveram a oportunidade de atuar.

Se para Djalminha futebol sempre foi diversão, sem dúvida alguma foi com êxito. Viva ao futebol moleque!

Fontes: Terceiro Tempo, esporte.uol

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