Supercopa do Brasil e os elefantes brancos da Copa 2014

UM ATRATIVO PARA OS ELEFANTES BRANCOS

Foto: Fernando Torres / CBF e Daniel Teobaldo / Staff Images

Por: Lucas Silva, AM

No último dia 22 de fevereiro a CBF surpreendeu ao trazer para o Conselho Técnico da Série A propostas  bem relevantes ao futebol brasileiro. Sofrendo constantes críticas devido por descaso e desorganização, a entidade idealizou situações que podem beneficiar o desenvolvimento do futebol nacional.

QUESTÕES PROPOSTAS

Dentro os pontos sugeridos estão os já polêmicos árbitros de vídeo e o limite de trocas de técnicos pelos clubes. Ambas as propostas já foram levadas ao conselho anteriormente, tendo sido reprovadas pelos clubes. No conselho para a temporada atual, o limite de trocas ficou novamente para outra ocasião. Já o VAR foi aprovado e deve começar a ser utilizado em 2019.

Porém a terceira proposta, que corre por fora das grandes manchetes, pode ter um papel fundamental na gestão pública em diversos estados. O ressurgimento da Supercopa do Brasil. A competição, que só teve duas edições (1990 e 1991), deve ser realizada em jogo único. O campeão do Campeonato Brasileiro enfrenta o da Copa do Brasil. O modelo já é realizado em diversos países, e apesar do clima competitivo ser menor, pode gerar bons frutos. Independente da “festa”, tendo dois campeões, a vontade de mostrar ser a maior “força” do país pode impulsionar a rivalidade da competição.

BENEFÍCIOS DA SUPERCOPA

Mais do que a renda gerada, a competição pode contribuir para a resolução de um grave problema deixado após a Copa de 2014, que foi o 7×1 foram os elefantes brancos.  Dos 12 estádios que tiveram investimentos para o Mundial, dez foram ou ainda estão sendo investigados por corrupção. Arenas em estados onde o futebol gera boas rendas ainda apresentam situações problemáticas, como a Arena Pernambuco.  Com três clubes de grande torcida, a construção do estádio foi feita há 20 km de Recife, tornando o deslocamento desinteressante para a torcida. O fato de Náutico, Santa Cruz e Sport terem seus estádios próprios, também diminui a valorização da Arena Pernambuco.

O Maracanã, que dispensa qualquer argumento favorável a sua existência, se tornou um símbolo de má administração e corrupção. O que faz o estádio respirar por aparelhos é o Rio de Janeiro ter clubes que precisam dele e têm condições de assumir o prejuízo, que é o caso de Flamengo e Fluminense.

Em um levantamento feito pela BBC Brasil em 2016 foi apurado cinco estádios com situações graves na relação custo-benefício. São eles: Arena da Amazônia, Pantanal, Dunas, Pernambuco e Mané Garrincha.  Na capital brasileira, o Mané Garricha gerou um prejuízo anual de R$6,2 mi. O maior prejuízo foi identificado na Arena Pantanal, em Cuiabá, cidade com futebol pouco valorizado. Estima-se que o prejuízo naquele ano tenha sido de R$8,3 mi. O estádio já foi palco de algumas partidas mandadas por clubes cariocas, que possuem grande torcida na região, no entanto, o número realizado foi insuficiente para provar a necessidade da Arena.

Arena Pantanal custou R$628 mi para ser construída e até hoje não foi finalizada. (Foto: Reuters)

Em Manaus, o prejuízo é menor comparado aos demais, “apenas” R$5,5mi. Isso se dá ao fato de grandes shows conseguiram cobrir parte dele. Porém, partidas de futebol são raras. Algumas vezes clubes cariocas também levaram jogos à cidade. O estádio também recebe com frequência jogos do time feminino de Iranduba, mas que não obtêm uma boa renda. Algumas competições bastante pontuais, como as Olimpíadas 2016 e a Copa Libertadores feminina 2018 também foram realizadas na Arena.

É evidente que a Supercopa do Brasil, se tratando de apenas um jogo anual, não resolveria todos esses problemas. Entretanto, levar os jogos para essas regiões pode ser o pontapé inicial para idealizar novas formas de justificar a existência desses estádios. Eles não deveriam estar ali, mas infelizmente estão. Bem ou mal, com as pautas expostas no Conselho, a CBF, no mínimo, demonstrou alguma boa vontade em trazer algo que colabore com o desenvolvimento do futebol nacional.

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