Vampeta: raça, irreverência e muitas histórias

Eta, eta, o Messi não tem Copa, quem tem Copa é o Vampeta!

Vampeta com a amarelinha na copa das confederações (Foto: Uol esportes/Reprodução)
Por Lucas Poeiras, MG

No dia 13 de março de 1974 nasceu na cidade de Nazaré das Farinhas, no estado da Bahia, o garoto Marcos André Batista dos Santos. Ele tinha o sonho de ser jogador de futebol e por isto ingressou nas categorias de base do Vitória-BA. Sua carreira teve muitos momentos gloriosos por clubes como o PSV Eindhoven e Corinthians, e teve o ápice na Copa do Mundo do Japão-Coréia em 2002. Reviveremos neste texto alguns momentos de Vampeta, o querido Velho Vamp.

O clube que o revelou: Vitória-BA  (1990 a 1994)

Toda trajetória tem um ponto de partida, e com Marcos não foi diferente. O garoto foi para Salvador e fez seu primeiro jogo profissional após passar alguns anos na base do clube. Os amigos da base ainda estavam iniciando no futebol, mas seriam notórios também: Dida, Alex Alves, Paulo Isidoro e Marcos são os nomes de sucesso desta classe.  O apelido “Vampeta” veio devido a um problema nos dentes que o atleta teve quando jovem. Diz-se que os colegas o achavam muito feio e apelidaram assim: a junção de vampiro com capeta.

Ele se destacou no começo da carreira devido ao vigor físico e  a sua raça. Marcava forte os adversários e não aceitava desaforo. Vampeta se destacou mesmo e, após quatro anos pelo rubro-negro baiano, foi vendido para o PSV Eindhoven da Holanda. Sua carreira internacional começou a partir de 1995.

Jovem e promissor rumo à Europa (1994 a 1997)

O esquadrão campeão da Holanda (foto: Football Database/ Reprodução)
O esquadrão campeão da Holanda (foto: Football Database/ Reprodução)

Vampeta ingressou no PSV para a temporada de 94-95 e logo virou titular. A janela de julho trouxe outro brasileiro junto com ele: o garoto Ronaldo, transferido do Cruzeiro-MG. Na época, Vamp fez grande temporada e foi campeão nacional da Copa da Holanda. Apesar de ter sido destaque como volante da competição, o atleta foi emprestado por dois anos ao Fluminense, pois teve problemas de adaptação no exterior. Mas em 1997 retornou ao Eindhoven para conquistar outra dobradinha e ser escolhido o melhor volante da Eredivisie.

O auge: Vampeta do Corinthians 

O técnico Vanderlei Luxemburgo já gozava de muito prestígio no mundo futebolístico. O professor, para a temporada de 1998, pediu a contratação de um volante e indicou o ex-Vitória. O atleta, então, entrou nos planos e passou a ser parte do elenco alvinegro. No meio-campo fez parceria histórica com Marcelinho Carioca e Rincón dentro de um esquadrão que consagrou nomes como Edílson Capetinha, Gamarra, Dida, Ricardinho e Dinei.

Vampeta marcou época com a camisa do Timão (foto: Uol Esporte/Reprodução)
Vampeta marcou época com a camisa do Timão (foto: Uol Esporte/Reprodução)

O campeonato de 1998 começou a consolidar a era destes craques com a camisa do Timão. O time treinado por Luxa foi campeão brasileiro em cima do Cruzeiro, após grande campanha na fase preliminar, que garantiu a liderança. Junto com seus companheiros, Vampeta fez parte do time que caminhou para a segunda taça do time paulista.

O ano de 1999 trouxe várias polêmicas para o craque do Corinthians. Vampeta não perdoava os adversários nas provações dentro e fora de campo. A disputa do campeonato paulista teve a grande confusão inciada por Edílson que bateu embaixadinhas no campo, quando a vitória alvinegra se aproximava. O jogador disse nos programas esportivos recentes que dentro de campo a briga foi grande, mas fora de campo, era muito amigo dos outros atletas. Inclusive de Paulo Nunes, que por muito tempo era tido como desafeto por jogar no rival Palmeiras.

Vamp foi fundamental para a conquista do bicampeonato. Fez grande jogos com bom rendimento. O primeiro jogo da final contra o Atlético Mineiro traria o primeiro drama da sua carreira: em dividida lesionou-se gravemente e teve de se afastar dos gramados por quase oito meses. Isto comprometeu seu desempenho a longo prazo.

O ano de 2000 trouxe outro título importante: o Mundial de Clubes. O Corinthians, como campeão brasileiro, fez parte da competição como país sede. O grande esquadrão comandado por Oswaldo de Oliveira não fez feio e ultrapassou todos os adversários para sagrar-se campeão.

Mais aventuras na Europa e a década de 2000

O volante foi negociado em 2000 para o Paris Saint German, mas durante a temporada 2001-2002 foi pouco utilizado, e emprestado para Inter de Milão. Vampeta aparentemente não estava no nível que os europeus esperavam, mesmo sendo um jogador muito querido. O resultado foi o seguinte: não se firmou no Velho Continente e retornou ao Brasil na janela de janeiro de 2001, para o Flamengo.

Vampeta na Itália (foto: Claudio Villa /Allsport/reprodução)
Vampeta na Itália (foto: Claudio Villa /Allsport/reprodução)

O jogador ainda viria a passar por vários times como Vitória, Brasiliense e Juventos-SP, mas não conseguiu se firmar mais. Ele teve várias lesões, sendo uma no joelho esquerdo em 2003, que o deixou quase um ano fora do esporte. O problema era muito mais grave que o imaginado: seus ligamentos estavam comprometidos  e isto visivelmente afetou sua durabilidade como atleta a longo prazo.

Ele anunciou sua aposentadoria em 2008, mas ainda fez algumas aparições em 2011.

O grande momento: convocado para a Copa de 2002

Mesmo durante seu auge poderia existir opções tecnicamente mais fortes que Vampeta. Mas o baiano, de 28 anos na época, tinha algo que nenhum jogador no Brasil tinha: a capacidade de unir o grupo em torno de um objetivo. Seu carisma e amizade com todos os jogadores que foram convocados para as copas das Confederações e da América consolidou seu espaço na família Scolari.

Ao anunciar os selecionados que iriam para o Japão e para Coréia do Sul, o nome de Vampeta foi chamado. Os jogadores que fizeram parte deste elenco o consideram fundamental para o equilíbrio psicológico do todo. Suas brincadeiras, histórias e incentivos fizeram parte da realidade do dia a dia da seleção que caminhou em direção ao penta.

A camisa amarelinha foi usada em 38 oportunidades por Vampeta, e seus dois gols pela seleção foram na fase das eliminatórias para a Copa do Mundo. Na competição principal, ele fez apenas um jogo: entrou no segundo tempo no lugar de Juninho Paulista para dar solidez defensiva. Ele perdeu espaço para as novas promessas do meio-campo na época: Kléberson e Gilberto Silva.

Ronaldo e Vampeta comemorando (Foto: Uol Esporte/Reprodução)
Ronaldo e Vampeta comemorando (Foto: Uol Esporte/Reprodução)

A seleção foi campeã e o baiano de Nazaré deu seu próprio show, desta vez, fora dos gramados. O então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) recebeu os 23 campeões e a comissão técnica no Palácio do Planalto para presenteá-los com a medalha de Honra ao Mérito Esportivo. Ele foi único que não estava com as vestes da CBF, pois colocou a camisa do Corinthians na hora da cerimônia.

Após receber sua medalha, ele protagonizou uma das mais referenciadas cenas do futebol: deu cambalhotas na rampa do palácio. Confira a reportagem no vídeo e relembre esse momento único de quando a nossa seleção tinha total confiança e prestígio da torcida:

O Brasil estava em ano eleitoral em 2002. Na época, Lula (PT) disputou a eleição com José Serra (PSDB) e o jogador em entrevista ao UOL esporte soltou a seguinte frase: “Ainda bem que era o FHC ainda. Se fosse o Lula, ele ia rolar comigo!”.

O que credencia o Velho Vamp a fazer parte do Hall da Fama do Gênios da Bola

O baiano de Nazaré durante toda a carreira mostrou uma capacidade única de unir os grupos pelos quais passou. Sua alegria nas entrevistas e uma capacidade de fazer o inesperado o colocou em evidência durante toda sua carreira. Certamente várias polêmicas impulsionaram seu reconhecimento midiático, mas o baiano sempre deixou sua marca nos times que passou e na sua seleção.

Vampeta é também um autêntico representante do Cenas Lamentáveis. Sempre protagonizou polêmicas e várias histórias que são lembradas por boleiros, torcedores, jogadores e técnicos.

Mas sempre entendeu que o futebol é alegria, que a rivalidade é dentro de campo apenas. Fora dela podemos ser autênticos, nos divertir sem arrependimentos, sem lpapa na língua e ainda sermos queridos por todos.

Hoje é aniversário desta lenda viva dos gramados, das entrevistas e dos causos.  Parabéns por mais um ano Velho Vamp!

Fontes: Meu Timão,  Corinthians Uol Esporte ,Transfermarket, TerraUol Esporte

1 Trackbacks & Pingbacks

  1. A dor da mulher que denuncia um jogador: "Disseram que eu só queria dinheiro" - Cenas Lamentáveis

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*